Entrevista com Vânia Queirós | Palavras de sabedoria - Vintage Girl

15 fevereiro, 2018

Entrevista com Vânia Queirós | Palavras de sabedoria


Podes falar-me um pouquinho sobre ti?

O meu nome é Vânia Teixeira Queirós, tenho 38 anos e sou de Braga. Sou casada e
tenho 1 Filho de 7 anos. Trabalho actualmente como assistente administrativa.

Diz-me várias coisas de que gostas

Gosto de mimos, de pessoas que não tenham medo de ser abraçadas e de abraçar sem
razão aparente; de pessoas que olhem nos olhos e sorriam com eles. Gosto de 
cozinhar para a família e amigos; de receber gente em casa; de estar em casa no sofá a
ver um filme (até adormecer!). Gosto de filmes que me façam rir… ou chorar! Gosto de
comer; de um bom vinho; de um bom restaurante; de experimentar coisas novas; de rir
(muito!); de reconhecimento; de trabalhar; de fazer coisas com as minhas próprias
mãos. Banhos de mar; passear na praia; pessoas; andar nua, dormir nua, massagens,
sexo (massagens no sexo então é do melhor!), memórias de dias felizes…

Tens uma presença tão forte, parece que levas tudo à frente! Onde vais buscar a
tua força?

Acho que ao equilíbrio e estabilidade familiar. Conheço-me bem e isso também é um
ponto forte porque sei exactamente como vou reagir a cada situação. O sorriso é a
minha arma preferida e por vezes sei que é uma arma letal!

Diz-me várias coisas de que não gostas

Não gosto de não ter planos. Não gosto de sair do plano inicial traçado (tenho
dificuldade em reagir em caso de mudança de planos). Não gosto de falhar. Não gosto
de pedir. Não gosto de comidas com muita gordura. Não gosto de cerveja. Não gosto de
ver televisão. Não gosto de fazer compras (eu sei, eu sei… todas as mulheres gostam!).
Não gosto de receber flores de presente (ou qualquer outra coisa sem utilidade prática).
Não gosto da preguiça (a minha inclusive e sobretudo!)  

O que pensas sobre o movimento feminista?

Penso sobretudo que não deveria ser necessário. Tudo era mais fácil se não fosse
necessário criar movimentos disto ou daquilo para que os problemas se resolvessem.
Algumas pessoas exageram na dose de comprometimento com movimentos até se
tornarem fanáticas e isso deixa-me triste.

Consideras-te uma pessoa feminista?

O quanto baste. Não pertenço a qualquer movimento nem entro em discussões
desnecessárias com ninguém por assunto nenhum. Mas tenho um certo gozo em ver
mulheres a ocupar lugares de destaque em todas as profissões e cargos.

Já passaste por algum problema de foro depressivo?

De certa forma sim. Não tive muito tempo para pensar no assunto porque estava
demasiado comprometida com muitas coisas, mas houve um ou dois assuntos
familiares que me deixaram um pouco deprimida, num dos casos com recurso a
relaxantes receitados pela médica de família.

Como conseguiste ultrapassar os teus fantasmas?

Só o tempo ajudou a superar o impacto de uma mudança radical. Como foi uma
questão de saúde grave do meu marido (na altura namorado) tive que ter força para
mim e para ele, sobretudo para que ele não se apercebesse da minha angústia.

Foi difícil?

Olhando agora para trás acho que foi um processo natural em que todos os que
gostavam verdadeiramente de mim ajudaram como podiam. Houve grandes revelações
nessa fase da minha vida. Umas boas… outras nem tanto assim. Mas aprende-se com
a vida! E só assim é que construímos a nossa “muralha segura”. Só assim sabemos
quem está realmente do nosso lado.

Achas que a sociedade está preparada para aceitar os nossos problemas
internos, aqueles que não se vêm?

Não. Não está! Sobretudo por preconceito. Há uma grande dificuldade em encarar
terapias alternativas (Reiki, Massagem, Meditação, Acupuntura e outras) como solução
não química para esse tipo de problemas. Também acho sinceramente que a forma
como estamos a educar as novas gerações não ajuda muito a evitar os problemas de
foro depressivo. Pior, promove-os! E isso não está a ser valorizado.

Como consideras ser a tua auto estima?

Tem dias! Como em tudo na vida. Não vivo muito mal comigo e com aquilo que sou. Só
acho que ainda dou demasiado valor ao que os outros pensam e dizem sobre mim e
isso é um problema. Devia ser mais desligada disso.

Alguma vez tiveste problemas com o teu peso?

Sempre tive problemas em controlar o danadinho! Desde muito jovem vivi em dietas e
grandes lutas para mudar hábitos e perder peso. Experimentei várias soluções,
medicações e métodos. Gastei muito dinheiro com isso. Estabilizei um pouco o meu
peso após o nascimento do meu filho, talvez por amamentar, mas a idade não perdoa e
vivo em constante luta com ele. Na maior parte das vezes privo-me de muitas coisas
para tentar controlar… Há dias em que não consigo…. Sigo na luta! Sempre sorrindo

Achas que isso aconteceu porque tu própria não te sentias bem, ou porque a
sociedade te impunha a ideia de que não estavas bem?

A sociedade é um cabra! Mas a maior parte das vezes sou eu que não me sinto bem.
Não me sinto saudável, sobretudo. É certo que deixar de caber num 40 afeta. E a partir
de algumas idades afeta muito mais…

Quem desvaloriza mais as mulheres? Os homens ou as outras mulheres?

Na minha idade as outras mulheres, sem dúvida! Na minha idade os homens preferem
alguém que se conheça e se aceite e não está minimamente preocupado com celulite,
estrias ou kilos a mais. Em contexto profissional, e como a maioria das chefias são
homens, a desvalorização nota-se mais. Neste caso não propriamente em relação a
aspectos físicos, mas sobretudo não nos dão o valor merecido e não aceitam que
possamos ser melhores do que eles em determinadas tarefas. No que diz respeito a
salários e recompensas, as mulheres ficam sempre prejudicadas.

A beleza de uma mulher está em...?

Se aceitar. Se assumir. Valorizar o que tem de melhor e não passar o tempo a queixar
se do que não tem. Não viver em função de ninguém e não precisar de ninguém para
ter o que precisa.

Já tiveste algum episódio marcante em que tenhas sido descriminada por seres
mulher? Conta-me como foi.

Alguns sim. Cada um com o seu contexto, mas nenhum me marcou de forma negativa e
irreversível. São aquelas histórias que ficam para sempre, mas que nem merecem a
referência porque não são importantes.

Uma mulher é feita de momentos, quais foram os melhores momentos da tua
vida?

O dia do meu casamento. Inesquecível para sempre, independentemente do rumo da
minha relação. O dia em que nasceu o meu filho (mais um cliché inevitável). O dia em
que comecei a trabalhar pela primeira vez. A primeira viagem de avião. A viagem
inesquecível a Amsterdam. E outros quantos assim mais íntimos e privados (daqueles
que fazem corar até os mais atrevidos!)

Uma frase que te descreve?

Uma mulher diferente, que pensa fora da caixa e que precisa de muito pouco para ser
feliz!




Este é o depoimento da Vânia, ela deixou um beijinho enorme a todas vocês!





Se tu também lidas com algum problema problema depressivo, de peso/saúde, transtornos alimentares, problemas de enquadramento social, ou se és simplesmente uma mulher que defende os direitos das outras mulheres não deixes de partilhar o teu depoimento comigo através do email geral@vintagegirl.pt ou no facebook https://www.facebook.com/vintagegirl.pt .

4 comentários:

  1. Olha adorei! Eu gosto muito de conversar e conhecer pessoas e as suas histórias, e senti-me como se estivesse ao vosso lado a ouvir a conversa. Uma entrevista simples, sincera e sem rodeios!! Muito bom! Não conhecia o teu blog, ganhaste mais uma seguidora.

    Beijinho

    https://catilagaspar.blogspot.pt/

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    1. Obrigada querida, é mesmo isso que pretendo: colocar-me ao lado de quem lê e mostrar que todas somos feitas do mesmo.
      Uma beijoca.

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  2. Gostei da entrevista, a Vânia transmite força e energia nas suas palavras :)

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    1. Ela é uma mulher muito inspiradora, obrigada linda.

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