Entrevista com Beatriz Matos | Depoimento de uma vida - Vintage Girl

07 fevereiro, 2018

Entrevista com Beatriz Matos | Depoimento de uma vida




Olá, podes falar-me um pouco sobre ti?

Olá, claro que sim! O meu nome é Beatriz, tenho 18 anos e venho de Gavião.

Ainda só tens 18 anos e já tens vindo a encarar problemas de enquadramento social, estou correta?
Sim, tenho apenas 18 anos e certamente muitas pessoas vão questionar-se sobre o porque de uma jovem pré-adulta estar a lamentar-se e dizer tudo o que vai dizer. Mas também poderei já explicar ás pessoas que o que irei fazer não é lamentar-me, irei dar o meu depoimento por querer fazer-lo e não desejar nada em troca.

Muito bem Beatriz, podes explicar-me de que forma o teu problema começou a surgir?

Os meus problemas de enquadramento social começaram a surgir desde que eu era pequenina, e com isso surgiram os problemas de ansiedade . Penso que tudo começou quando os meus pais se separaram e posteriormente a minha mãe, minha progenitora, abandonou os filhos.

9 Anos é uma idade muito tenra e complicada para lidar com toda essa situação. Como ficou o teu seio familiar depois disso? 

Sim ... realmente é. Eu sei que não sou e nem serei a única a passar por isto. Contudo pensava que poderia ter na mesma uma "família feliz" sabes? Mas infelizmente não foi o que aconteceu. Tanto eu como o resto da minha família ficou muito marcada com a saída dela das nossas vidas.

Eras muito ligada a tua mãe?

Não, não era de todo ligada a ela porque estava habituada a passar os meus dias e noites na escola e com os meus avós maternos ,o que acabava por nos deixar um bocadinho mais distantes e por isso nunca senti um verdadeiro afeto maternal da parte dela para comigo.

 Como começaste a lidar com a situação assim que ela partiu?

Tudo se tornou um problema para mim. A partida dela deixou-me uma dor difícil de conseguir colocar de lado, uma revolta enorme, uma falta de apoio tremenda. Comecei aí a consultar os psicólogos... Passado uns tempos a minha progenitora começou a aparecer e desaparecer de novo. Claro que isso só ajudou para aumentar a minha mágoa, porque percebi que ela trouxe quatro crianças ao mundo, mas no final de tudo preferiu abdicar de todas elas em prol de um homem que nem sequer a merecia!

Conseguias abrir-te sobre os teus problemas com alguém?

Não, tinha dentro de mim uma revolta tremenda, mas quando olhava à minha volta e me via sozinha, tentava sorrir porque não queria dar a entender a ninguém que aquilo me magoava.

Então tu não podias chorar os teus problemas no colo de ninguém? Isso já é duro para qualquer pessoa, mas considero que para uma jovem tão nova possa trazer problemas bastante perturbadores.

Jamais! Jamais poderia olhar em volta e desabar em lágrimas porque não tinha a minha mãe por perto desde os meus 5 anos de idade, e o meu pai estava no estrangeiro e nem sempre podia estar comigo. Ou seja não tinha nada onde me pudesse agarrar.

Podes dizer-me em que aspectos o teu problema familiar começou a influenciar a tua vida social?

Comecei a isolar-me de toda a gente. Ao longo do tempo o meu corpo começou a enfrentar mudanças e o mundo à minha volta simplesmente não as aceitava. Comecei a ser gozada na escola, era posta de lado pelas outras crianças e isto dificultava tudo ainda mais.

Tornaste-te uma pessoa fechada?

Sim, ganhei uma enorme timidez da qual não sabia libertar-me.
Tornei-me uma pessoa extremamente reservada com as pessoas que conhecia, principalmente com a minha família.

E foi em consequência de toda esta situação que adquiris-te os teus problemas de foro psicológico, correto? 

Sim, os meus problemas ansiosos vieram com tudo... Acho que o ápice foi o abandono da minha mãe e a mágoa interior que ia desenvolvendo por ver toda a gente tinha uma mãe ou o pai por perto, e eu acabava por me sentir limitada a estar sozinha e fechar-me no meu mundo.


Agora que tens 18 anos como estás a lidar com o assunto? Porque estes problemas não se resolvem “de um dia para o outro”.

Hoje em dia tento lutar contra isso , confesso que até já tomei antidepressivos mas consegui deixar-los à cerca de 5 anos. Aos poucos tenho tentado aceitar o facto de ter de viver sem a minha progenitora e certamente há atitudes que não irei conseguir perdoar nunca.

Este é o depoimento da Beatriz, ela deixou um beijinho enorme a todas vocês que passam pela mesma situação e um abraço de força para vos ajudar a ser fortes como ela tem sido até aqui 

Se tu também lidas com algum problema problema depressivo, de peso/saúde, transtornos alimentares, problemas de enquadramento social, ou se és simplesmente uma mulher que defende os direitos das outras mulheres não deixes de partilhar o teu depoimento comigo através do email geral@vintagegirl.pt ou no facebook https://www.facebook.com/vintagegirl.pt .

2 comentários:

  1. Adorei a entrevista! Parabéns pelo teu projeto, Bárbara... Que ele possa inspirar outras mulheres a enfrentar os seus problemas <3

    Beijinhos,
    Joana Freitas
    www.modaestyle.com.pt

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    1. Obrigada querida, espero que este projeto cresça bastante e que possa inspirar o maior numero de mulheres possível!
      Uma beijoca enorme.

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